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O sonho e a nossa realidade: limitadores geopolíticos e o Brasil do futuro

Escrito por

Luiz Philippe de Orleans e Bragança

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Os problemas do Brasil podem ser resolvidos através de uma profunda reorganização das instituições públicas e liberalizando e diversificando a economia brasileira. Todas essas medidas são factíveis e estão ao nosso alcance, dependendo apenas da decisão de nossos políticos. Explico isso em detalhes no meu livro. Mas no meu livro não falo de geopolítica.

Temos diversas vantagens geopolíticas. Analisando o Brasil sob o prisma dos três pilares fundamentais que constituem uma economia independente (Força de Trabalho, Terra e Capital) estamos bem em dois quesitos e mal em um deles. O Brasil possui um vasto território, repleto de recursos naturais e mão de obra capaz de colocar o país de pé em curto espaço de tempo. O Capital é que está sendo mal empregado.

É aí que precisamos considerar nossos limitadores geopolíticos. Eles não existem em função de nossas escolhas e sim em função de nossa natureza. Por exemplo:

  1. Temos um desafio de criar e manter uma infraestrutura integrada
  2. Sofremos com o Distanciamento geográfico dos maiores mercados desenvolvidos
  3. Sofremos perdas e riscos por não exercer proteção e controle do nosso território de maneira efetiva.

Esses três componentes têm colocado o Brasil em desvantagem no cenário internacional. Com investimentos certos conseguimos reduzir a relevância desses eternos problemas naturais.

Mas, ao invés de corrigir ou contornar esses limitadores, as decisões políticas gastam tempo e recurso em outras áreas. A consequência vem sendo sentida há tempos, pois estamos ficando para trás internacionalmente.

Como se sabe no mercado corporativo, quem não investe em pesquisa e desenvolvimento gasta com licenciamento de patentes. Isso também acontece com países. O custo de “reatualização” de uma economia cresce anualmente. Quando um país não é autônomo em uma questão, ele torna-se influenciável por agentes políticos e financiadores externos. O custo disso é maior ainda.

Esses limitadores geopolíticos não são uma mácula apenas de países subdesenvolvidos. Algumas nações desenvolvidas encaram cenários muito mais adversos que o nosso como é o caso do Japão, que é uma ilha com poucos recursos naturais, ou o Canadá que tem mais da metade de seu território permanentemente congelado pelo inverno. Temos também o caso da Alemanha seu parco acesso ao mar. A lista continua, já que problemas e adversidades são fenômenos extremamente democráticos.

Cidade de Frankfurt, na Alemanha, totalmente destruída durante a Segunda Guerra Mundial.

Não estou falando de um processo de longo prazo. Quando uma administração séria decide transformar seu país de forma real, é possível atingir resultados impressionantes em curtíssimo prazo, para os parâmetros de uma nação, que é algo perene. Dubai, parte dos Emirados Árabes Unidos, e Singapura, na Ásia, são provas de que a evolução e a superação de limitadores geopolíticos são possíveis.

Milenar, Dubai juntou-se a outros emirados, como Abu Dhabi, na formação dos Emirados Árabes Unidos em 1971. O petróleo tinha sido descoberto na região em 1966. Em 1979, o porto de Jebel Ali e o Dubai World Trade Center foram inaugurados. Em pouco menos de 50 anos o país deixou de ser uma zona semidesértica para se tornar referência mundial. Primeiro com uma economia baseada em comércio, depois na extração do petróleo e agora com serviços, Dubai usou a riqueza dos combustíveis fósseis para modernizar e preparar uma economia para o futuro. Vejam as fotos comparando Dubai em 1960 e 2017. Imaginem esse efeito transformador no Brasil. É claro que Dubai e Abu Dhabi são cidades e não países, mas a transformação sofrida nessas cidades é um claro demonstrador que o desenvolvimento é possível.

A diferença entre esses países desenvolvidos e os países terceiro mundistas é o sonho da liderança internacional, e a consciência e o foco na necessidade do combate permanente de seus limitadores geopolíticos. É direcionando investimentos para o lugar certo e da forma correta que esses países desenvolvidos se mantêm relevantes economicamente, fortes estrategicamente e soberanos politicamente. Em suma com boas instituições públicas e bons investimentos estratégicos maximizamos nossas virtudes e minimizamos nossas deficiências.

O curioso é que a consciência disso é amplamente defendida pelas sociedades dos países desenvolvidos. Ninguém atinge seu ápice civilizacional sem querer. Tem de se querer ser desenvolvido, e muito!

Imaginem agora o Brasil. Além de uma potência agrícola, nos tornarmos também uma referência industrial e de prestação de serviços, exportando produtos e ideias de alto valor agregado mundo afora. Pensem em um Brasil totalmente integrado com aeroportos, rodovias, ferrovias, portos e rios planejados e sustentáveis de norte a sul. Todos esses equipamentos de primeiríssima qualidade e eficiência, encurtando tempo e custo na relação produtores/consumidores, tanto internos quanto externos. Imagine as centenas de cidades ricas e superdesenvolvidas que brotariam dentro de nosso território em decorrência disso. Imagine que você mora em um país soberano e seguro, capaz de proteger as suas propriedades, suas riquezas, e seus cidadãos consumidores e a alta qualidade de vida que sabemos que podemos atingir.

Brasil do futuro. Fonte: IstoÉ!

Essa imagem, e muito mais, é o que deve permear nossa sociedade e nossos futuros representantes políticos. Os políticos eleitos atualmente, e não somente os que estão em Brasília, não têm essa visão, e muitos visionam exatamente o contrário. É esse tipo de representante político arcaico que tivemos todo ao longo do século 20, salvo raras exceções. Nossos políticos preferem usar recursos para obter ganhos políticos, não para melhorar infraestrutura ou reforçar nossas instituições. Com esses políticos arcaicos não se faz investimento nem planejamento estratégico.

É aqui que você e eu entramos. Embora o Estado brasileiro tente controlar tudo, o sonho por uma pátria líder e soberana ainda não foi regulamentado. Esse sonho político não tributado criará a consciência da necessidade do combate incessante, não só dos nossos limitadores geopolíticos, mas também dos políticos arcaicos ou mal-intencionados que insistem em impedir que isso vire realidade.

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