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Quem é o pai do populismo e como nos livrar dos filhos dele

Escrito por

Luiz Philippe de Orleans e Bragança

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O maior destruidor das inumeras tentativas de se criar um Estado de Direito na historia sempre foi o populismo. Desde o seu surgimento na Grécia antiga, a fórmula populista de se obter poder pouco mudou. E depois que conquistava o poder a constituição passava a valer muito pouco.

Quem foi o criador e pai do populismo?

Pisistratus foi o primeiro populista demagogo na história de Atenas. O populismo e Pisistratus surgiram quando Solon, o arconte legislador, resolveu flexibilizar os requisitos para que atenienses pudessem votar.  Solon foi um gênio e um verdadeiro Estadista. Entre dezenas de avanços legislativos, Solon acabou com a escravidão por dívida, e ampliou quem era cidadão. Essa mudança concedeu o direito ao voto aos cidadãos sem terras, muitos deles mercadores viajantes e obreiros de todos tipos. Eram o que podemos considerar como os “cidadãos de periferia”. Isso aconteceu pouco antes de 546 a.c. Mas Solon não contava com a falta de virtude e cobiça por poder.

Pisistratus sempre quis se tornar arconte de Atenas. Embora fosse rico, Pisistratus não era bem quisto pelos demais aritocratas. No entanto, a nova abertura política criada por Solon abriu uma rota de acesso ao poder na política ateniense. Pisistratus estava prestes a se tornar o pai dos populistas. Ele descobriu logo cedo que o povo era facilmente iludido por gatilhos mitológicos e simbólicos.

A primeira medida de Pisistratus foi se transformar em um “homem do povo”. Depois, não perdeu tempo em se apropriar das narrativas das crenças e mitos populares, se colocando sempre como o herói pre-destinado usando, sem restrições, alegorias que arremetiam diretamente às crenças populares. Isso fez com que as pessoas passassem a vê-lo como um líder mitológico, uma espécie de messias.

Pisistratus, o pai do populismo, falando para os atenienses.

Embora fosse também de uma familia aristorcrata, nosso populista sempre fingia sofrer perseguições e injurias dos aristocratas donos de terras. Com esse método e muita demagogia, Pisistratus entrou de vez para a política de Atenas. Os aristocratas ainda detiam algum poder politico e sempre o removiam do poder, mas Pisistratus sempre se re-elegia de forma teatral. O pai do populismo fazia  campanha como herói triunfante, e era carregado nos braços do povo como guerreiro vitorioso sem jamais ter vivido um desafio que o transformasse, de fato, em herói.

Isso ocorreu há mais de dois mil anos, mas nos leva à seguinte pergunta: ainda há espaço em pleno século para demagogia? Infelizmente, sim. Olhe a lista dos possíveis presidenciáveis nas pesquisas de intenção de voto. Temos aqui mesmo, no Brasil, várias versões de Pisistratus modernos candidatos à presidencia. De diversas matizes e origens, eles se dizem “do povo”, mas todos representam apenas suas próprias vaidades e interesses.

Nossos Pisistratus fingem demonstrar empatia para com os sofrimentos dos mais carentes e excluidos da sociedade, mas a comiseração tem como único objetivo a obtenção do voto. Enquanto o conhecimento ficar restrito somente em uma pequena parcela da população, sempre que formos às urnas correremos o risco de cairmos nas mãos de um Pisistratus moderno.

Pisistratus é carregado pelo povo nas ruas.

Para evitar que isso aconteça devemos rejeitar políticos que digam defensores das classes mais carentes, que aparecem e prometam demais, que sejam adeptos da autoglorificação ou que se digam vítimas. O combate a esse tipo de postura deve se tornar um ato de consciência política.

A melhor forma de combater o populista é optar por politicos com outro tipo de discurso. O Brasil precisa de políticos autênticos, que digam a dura verdade na melhor de suas habilidades, que queiram devolver às famílias brasileiras as escolhas que foram removidas pela burocracia. Devemos votar em políticos que queiram transferir para os municípios o poder político de Brasília. Espero que os brasileiros votem em políticos que queiram reduzir a burocracia, assim como a regulamentação de nossas atividades econômicas. Por fim, confio que saibamos escolher políticos que queiram dar mais transparência nos tributos, e que diminuam os impostos para deixar uma poupança maior nas mãos dos trabalhadores.

Nossa sociedade vai entender que votando em políticos que apliquem as medidas acima, todos terão mais chances de:

1) Determinar o que é melhor para eles sem precisar delegar poderes.
2) Criar mais oportunidades de trabalho localmente, sem ter que depender planos do governo.
3) Acumular mais capital e definir o que fazer com seus impostos.
4) Resolver os problemas de suas comunidades por si próprios.

Os populistas com sua demagogia constroem uma máscara de relevância, fazendo com que as massas creiam que só com ele, o populista, no poder, e seus programas de governo mirabolantes, é que haverá avanços para a sociedade. Os últimos dois milênios ensinaram que as práticas populistas, e a demagogia daqueles que sobrevivem do poder, não são sustentáveis e nem verdadeiras.

Os reais avanços são conquistados naturalmente pelas ações da sociedade, não pelas ações da burocracia ou políticos. Os cidadãos conscientes e responsáveis precisam denunciar demagogos em alto e bom som. Vamos combater os populistas e sua demagogia com a transparência e a responsabilidade. A sociedade brasileira está preparada para a verdade.

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