Artigo

Qual Nova Ordem Mundial?

Escrito por

Luiz Philippe de Orleans e Bragança

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Desde a invasão da Rússia na Ucrânia, os EUA forçam a mão de países para se posicionarem contra a Rússia.  As sanções do bloco EUA/União Europeia contra a Rússia não lograram sucesso até agora, mas geraram medo. Não na Rússia, mas sim em vários outros países que perceberam que o mesmo poderia acontecer com eles.  Temendo por suas soberanias, esses países reagiram e rapidamente estão criando uma nova rede de trocas. 

Que trocas?  Tudo: comércio, indústria, finanças e, quem sabe, o agronegócio se o Brasil decidir que também quer fazer parte.  Essa rede operará em moeda alternativa ao dólar para realizar suas trocas com protocolo bancário que não seja o do SWIFT. 

Hoje quem comanda o SWIFT comanda o mundo financeiro.  A moeda alternativa pode ser as próprias moedas locais ou talvez criem uma cesta de moedas lastreadas em commodities. 

Isso merece nossa atenção pois hoje a moeda de troca mundial é o Dólar e este está lastreado em NADA, além de estar sujeito ao mal gerenciamento fiscal e monetário do Biden nesse momento.  

Essa nova, nova ordem mundial alternativa já conta com países importantes.  Primeiro foi a Rússia junto com a China.  Depois veio a Índia e, mais recentemente, a Arábia Saudita e Emirados Árabes que passaram a compor as economias interessadas nessa rede alternativa a rede dos EUA e Europa. 

Tudo isso conquistado num espaço de 45 dias: sabendo que fundamentos dessa alternativa já existem há três décadas… o que faltava era o estopim.   

Isso é bom para o Brasil?   Digamos que ficar com reservas em Dólar, que perde valor aceleradamente, e sob os protocolos comandados pelo sistema financeiro do ocidente, cheio de agendas politicas, não é a melhor estratégia para o Brasil uma vez que exista uma alternativa. 

Se essa alternativa amadurecer, e o Brasil quiser participar, o poder de barganha do Brasil com os EUA e Europa, assim como nessa nova rede, será imenso. Talvez maior até do que existia durante o Brasil Império.

Considere que:

1. Rússia é líder na produção de armas, minerais e petróleo,

2. China produz tudo, mas depende de minerais e agros. É a segunda maior economia.

3. Índia produz muita coisa também. É a quinta maior economia além de estar liderando iniciativas em várias tecnologias.

4. Arábia Saudita e Emirados produzem petróleo e importam tudo

5. Todos acima precisam do Brasil que complementaria a rede de commodities com o agro.

6. EUA e Europa estão fragilizadas, pois são regiões mais dependentes de seus consumidores que de seus produtores e crescem mais por endividamento que por aumento de produção e o nível de endividamento por lá já está no limite.

A construção dessa rede alternativa torna-se inevitável e já nasce com países produtores importantes. Uma cesta de moedas lastreada em bens tangíveis daria mais estabilidade ao comércio internacional que já se deslocou fora do eixo EUA/Europa. 

O Brasil não precisa escolher uma das redes, pois, assim como a China e Índia, poderia participar das duas.  No entanto, até para tomar a decisão de participar nas redes alternativas é preciso de empenho político uma vez que o lobby em prol do “establishment” do Dólar é muito forte.  Veremos.    

Os proponentes da “nova ordem mundial” não previram que uma “nova, nova ordem mundial” poderia surgir como contraponto.  E, para um número crescente de países, essa segunda alternativa parece ser mais atrativa.  Sabendo jogar, Brasil só tem a ganhar com tudo isso e se destacar como a liderança que sabemos somos.

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